Translate

sábado, 7 de março de 2026

Sei quanto é preciso, PAH!, Navegar, navegar.

 Eu saí esperando tempestade, mas encontrei a paz, boas ondas. Eu conheço o mar. Aqui estão minhas memórias de marinheiro. Não sei se é o casco velho, não sei se é a surdez das batalhas passadas, recém passadas. Não sei se foi as pilhagens, porque sei que fui pirata, sei dos meus pecados. Eu sei dos meus pecados, das minhas falhas. Eu sei de mim, capenga, xoxo, escalafobetico. Nunca pudibundo. 

Eu não sei do mar a frente, eu sei que tem monstros, como os atracados na terra. 

Mas sei que é preciso pah, navegar. Navegar.



Lembrei da Bruh.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Figurante

 O cenário estava abarrotado. Em meio aos dramas e prazeres daquelas duas narrativas, o movimento era geral, o contra regra nunca pareceu tão ocupado, empenhado naquela entrada e saída de personagens. As cenas memoráveis eram sendo construídas.

Animado, o ator enfentiou-se em seu camarim. Cortara cabelo, fizera a barba, perfumara-se com a su melhor fragrância. Passara noites em claro fantasiando o seu momento da cena, a sua entrada na narrativa.

Toc-toc - que mais pareceu um alarme de ameaça nuclear. Era chegado o momento.

No envelope o tão esperado roteiro.

Ele o pegou com mãos e olhos ávidos, tragou as primeiras linhas em busca do seu nome. As linhas tornaram-se parágrafos, parágrafos viraram páginas, que logo vieram a ser capítulos e mais capítulos. Cenas após cena, seu personagem era apenas mencionado, de passagem. Uma aparição ali, aqui.

Foi só então, que entendeu: ele era um figurante. 

Desapego

 Eu cansei de ser apegado a memórias

Aos sentimentos que me assolam

As luxúrias que vivi

Aos anseios que pensei vir


Cansei de pedir carinho

Fui-me ao ar marinho

Sendo minha vela

E meu cais


Desapeguei do nome pra ser quem sou

Desapeguei do futuro para estar presente

Eu quero é andar rente

De mãos dadas comigo mesmo

E nada mais