“Tudo em seu tempo ao seu tempo.”
É uma bela frase, deveras, pois o tempo corre sozinho e se realiza com a mesma solidão, sem se quer nos perguntar a preferência.
“Devo correr mais devagar agora?” Deveria ele nos questionar quando algo de maravilhoso se desenrolasse, ou quando estivéssemos naquela ocasião chata – onde só cinco provas de físicas quânticas juntamente com oito de físico-químicas se comparariam – ele nos diria : aguente e fique firme, vou bem mais veloz agora.
Não, isto é algo o qual não acontece. Ele vai sozinho passar como bem entende, e no fim quando passa, resta a nós – reles mortais – a guardar o que passou na cabeça, pois é inteiramente ilógico comemorar no presente, algo que acontecera no passado, como se estivesse acabado de acontecer.
Quer uma prova? Quantas pessoas você vê por aí comemorando o gol de vitória do Brasil da copa de 58, como se houvesse acabado de ouvir pelo rádio? Isso mesmo meu amigo, nenhuma. Isso é porque já aconteceu, o que cabiam a todos aproveitar e comemorar já se lotou, passou tão rapidamente que só o tempo soube ao certo quantos segundos duraram aqueles quinze minutos de fama. E agora nos resta apenas a comentar sobre o ocorrido.
- Então, sabe aquele título de 58? Espetacular não foi?
- É, até que foi uma peladinha legal. Dava pra ter sido melhor.
Creio que o bicho pega mesmo quando algo acontece e nós sentimos aquele gosto que não fizemos de tudo para melhorar, deixamos que o nervosismo, a vergonha, ou falsos moralismos, intervissem nas obras que nós, pintores do próprio destino, deveríamos ter dado aquela pincelada a mais, ter adicionado uma cor ou outra sem medo da estética, enfeitado, realizado um sonho.
O tempo passa e as coisas mudam. Hoje o azul límpido pode se tornar mais apagado amanhã, e depois de amanhã você pode confundir com um cinza clarinho, ficando apenas na memória que ali, onde se apagara, já fora algo quase que fluorescente. Olhe bem, não estou inteiramente reclamando disso, pois conheço muito bem a necessidade do tempo passar, do equilíbrio do dia e da noite, da primavera e inverno, ou sendo mais dramático, das férias e das aulas. Apenas fico descontente da forma que ele passa, já que muitas vezes só se passa uma vez.
Mas no fim – onde é o fim que sempre prevalece – entendendo que não há como mudar os fatos, o tempo ou qualquer outra coisa, continuo a apenas lembrar de fatos, sonhos, bem como algo do título de 58.
- E que espetacular não foi?



