Contava-se,
nas florestas e em vários reinos, a lenda de uma linda e indefesa princesa,
aprisionada em alguma torre gótica – pois elas sempre são as mais altas! – por
uma terrível e malvada bruxa!
Em
todos os lugares, vários príncipes, heróis e muitos beberrões tomados por uma
efêmera coragem, ficavam entusiasmados e brigavam entre si para saber quem
salvaria a tão indefesa donzela.
Bom, metade do grupo desistiu
quando soube da existência de um horripilante dragão. “Um amor não vale uma
vida!” – era o que pensavam... Pobres rapazes.
Um
terço da outra metade ficou bebendo mesmo, outros tinham compromissos
inadiáveis, e por ai foi o teste de seleção, até sobrar um bravio príncipe,
alto, ombros largos, cabelo cor-de-ouro – um colírio Northam! – para salvar a
tão indefesa donzela!
E não
muito distante, já poderia se ouvir os barulhos do cavalgar de um bravio
salvador que se aproximava para resgatar aque
la tão indefesa donzela.
Passou
por grandes geadas, tempestades horríveis, lutou contra mais de quarenta ladrões,
florestas de espinhos, mais tempestades – Ah... Como é péssimo viajar de cavalo
no inverno – e todos obstáculos que os príncipes passam nesses contos de
fadas - favor conferir em bela
adormecida e afins – até que enfim, o belo príncipe encantado vislumbrou com
seus belos olhos azuis, a gótica torre gótica.
Animado,
abusou ainda mais do pobre cavalo e resolveu galopar quanto mais veloz, para que
pudesse chegar rapidamente à entrada da torre, onde encontraria o furioso e
horripilante dragão. Todavia, quando desceu do seu alazão, já com espadas e
escudo mágicos em punho, percebera algo diferente no cenário fantástico: O
dragão sumira!
Bom, é
bem verdade que havia esses mosquitos sanguessugas enormes, quase do tamanho do
dragão, mas dragão, dragão mesmo, nem sinal do seu bafo de enxofre.
Temeroso
que houvesse acontecido alguma tragédia com a tão indefesa donzela, e que ela,
por ser tão indefesa, não conseguira se defender, subiu os vários lances de
escada, e adentrou pomposo, embora pronto para briga, nos aposentos da
princesa, e aí, oh sim, o espanto!... Nem sinal da princesa. O quarto estava
completamente vazio, exceto por um pequeno papel roxo deixado em cima da cama.
O bilhetinho, escrito com uma caligrafia mimosa, dizia assim:
“Caro
príncipe encantado, cansei de espera-lo vir me resgatar, então, eu mesma tomei
as providências. Sim, derrotei a bruxa malvada, domestiquei o dragão, e agora,
estou usando-o para ir à praia das fadas, tomar um solzinho encantado com minha
amiga: biquininho vermelho. Espero que não tenha se cansado muito, e claro, não
tenha feito essa empreitada no inverno – Ah... como é péssimo viajar de cavalo
no inverno!
Beijinhos e com amor, de uma donzela, mas não
tão indefesa.”
