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sábado, 12 de janeiro de 2013

Uma para um remetente avulso.


Pensei em escrever uma carta, mas ao por a pena e a tinta no papel avulso e morto, lembrei-me que não tenho para quem mandar.
                Família? Apartei-me dela para gozar de uma vida efêmera – e completamente sem sentido, para mim, devo prosseguir.
                Meus amigos? Ah sim, tenho muitos, embora, todos tenho tão próximo, e ao mesmo tempo tão longe, que deles, de todos sabem minhas feições, embora desconheçam por completo meus pensamentos. Não adianta perturbá-los com caraminholas tolas.
                Amores? Esses sim, estão pra lá de Pasárgada, tão longe que nem mesmo um reles auspício de caminho, já não consigo vê-lo com essas minhas retinas tão fatigadas. Foram-se todos. Mas o amor tem disso, esfregar-se em nós, e então, partir.
                Dessa forma, resta-me somente este papel avulso e morto, mas tão vivo quanto eu. Pois nele, tem o contato da pena, as ideias de um poeta já não vivo, já quase morto.
                Pensei escrever uma carta. Agora desisti.
              Desisti de tudo.
                Então ela vai para um lugar, o avulso.