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quinta-feira, 31 de março de 2011

Ferrari


                Certo dia, um garoto parou em frente a uma loja de carros ,como sempre fazia, e ficou admirando seu carro favorito.
                Ele queria poder tentar desviar o olhar de sua Ferrari, mas não conseguia, ele sabia que a qualquer hora, um carro como esse, poderia muito bem sumir da noite pro dia, e ele temia que isso acontecesse. E foi de tanto olhar, que todos começaram a achar suspeito tal ação do garoto.
                - Desculpe meu filho, mas o que todo dia você faz aqui? – perguntou uma pessoa da loja.
                - Ah, nada.
                - Não pode ser nada – dizia impaciente – Todo dia você vem aqui, e fica olhando para os carros... Então me diga, em qual o senhor está interessado?
                O garoto abriu um sorriso acanhado só em pensar em seu carro veloz, então, balançando a cabeça de leve para dissipar seus devaneios, ele apontou para o carro.
                Era uma Ferrari, preta, no meio de tantos outros carros, talvez ela passasse despercebida, mas o garoto a via, e a desejava. Era daquele tipo de carro que, de fato, tira mais ar do que crise de asma. E para completar, era uma Ferrari impossível para ele, o que mais o atraia.
                A pessoa da loja franziu o cenho para o garoto, como ele iria querer logo uma Ferrari. Não, como ele iria logo querer aquela Ferrari?
                - Bom – começou lentamente a pessoa da loja, procurando as palavras certas para falar com o garoto – Aquela Ferrari ali? Tem certeza? Certo, mas desculpe, mas ela não está a venda... Pra falar a verdade, ela só está aqui mesmo para vitrine, já é de outra pessoa.
                O lojista parou, esperando alguma reação do garoto, que continuava com sua face fleuma e impassível fitando a Ferrari.
                - Você ouviu o que eu disse garoto?
                - Claro. E eu já sabia disso.
                -Bom, então,  você não deseja olhar outros carros?
                O garoto balançou a cabeça e abriu um sorriso, começando a dar as costa para a pessoa da loja.
                - Ei espere, tem certeza? Olha ali, aquele Honda Civic, não é de seu agrado?
                - Não, não obrigado.
                - Ah vamos lá, eu sei que você pode comprar, você pode andar de carro a hora que quiser.
                - Não, eu vou a pé mesmo.
                E assim o garoto deu as costas e saiu andando com o dia ganho. O lojista continuou ainda um tempo parado, olhando para a Ferrari e os outros carros, sem conseguir entender os motivos do garoto esquisito. Porém, depois de um tempo desistiu, achando que era nada mais do que capricho do menino.
                Capricho ou não, outros carros não são Ferrari.


 NOTA: Não procure sentido nenhum no texto kkkk :P Ele não faz, apesar de ter certeza que esse dia vai acabar chegando, lojistas burocratas :P

segunda-feira, 28 de março de 2011

Até o fim.


- Por que você está arrumando suas coisas? Você vai embora?
                Sua voz preocupada me fez parar de arrumar a mala. Por um ínfimo segundo, eu quis lagar meus pertences, jogá-los no chão, e correr até seus braços... Mas antes que agisse assim tão transloucadamente, os motivos de estar fazendo isso vieram em minha mente, não que eu quisesse, mas eu precisava.
                - Sim, eu vou embora, eu vou até o fim.
                Ela parou me encarando, não parecia acreditar no que eu dizia, era isso, ou o desinteresse que esteve em seus olhos todos esses tempos, agora estava por todo o seu corpo.
                - Ah é, e para onde você vai? Já falou com sua mãe sobre isso?
                Eu assentia lentamente sem olhar para ela, colocando – agora sem nenhuma vontade – os restantes das minhas coisas dentro da mala.
                - Na medida do possível – eu respondia com apatia – e ela me disse que eu poderia ir para Quixeramobim, eu faço um... – parei procurando a palavra certa – Ah sim! Um bruto sucesso por lá.
                - Você não sabe nem como o maracatu começou!
                -Mas vou até o fim.
                Ela se calou outra vez.
                - Você parece estar sofrendo, a culpa é minha?
                - Não, a culpa é do chato do querubim... Sabe, eu sou assim, todo ruim.
                Dessa vez o silêncio entre nós foi absoluto, sem olhares ou sorrisos, nenhum dos dois sequer deu adeus um ao  outro, mas eu sabia que realmente tinha que fazer. Dei as coisas para o meu destino,  sem me lembrar ou saber para onde ir.
                Então comecei a andar pela minha estrada torta... Por que eu vou até o fim, e mesmo sem saber onde isso irá me levar, eu vou até o fim.
 



Nota: É incrivel como uma música, em apenas em um dia, possa me prender tanto, e me dar inspiração de escrever isso... Bom, o texto foi inspirado na música: Até o fim - Chico Buarque

*--*

domingo, 27 de março de 2011

...

Eu as vezes queria ser assim: incosequênte
Talvez até de uma forma meio inocênte...
Parando de apenas olhar ou pensar,
Pra poder te abraçar, beijar e te amar.

Eu poderia ser também mais eloquênte
Daquele tipo de gente que se entende
Sem se importar com o que deveras sente
Pois o amor que sinto por ti,você nem se quer compreende.

Eu queria poder voar distâncias enormes sem cansar
E assim, voaria feliz para o teu lado
Contigo, passaría noite acordado
E você me daria mais motivos para sonhar.

Eu as vezes queria ter mais coragem
Para fechar os olhos sem ter medo de me machucar
E mesmo que ,assim ferido, deseje continuar a andar

Eu as vezes queria ser assim: inconsequênte
Louco, um tanto veemente, e ainda um pouco mais inconsequênte...
E já que não tem outro jeito, vou ficar com você na minha mente.

sábado, 5 de março de 2011

Apêndice.


Num rotineiro dia de semana, no consultório de psicologia, o doutor Carlos consultava um paciente com um caso curioso.
- Então Pedro, o que o trás aqui?
Passando a mão no abdômen o paciente respondeu:
- Meu apêndice está doendo.
-Como é que é? – perguntou o doutor um tanto confuso.
-Meu apêndice, não para de doer.
-Desculpa, mas o senhor não está no lugar errado? Eu sou um psicólogo.
-Eu sei doutor, mas foi ao senhor que meu antigo médico me aconselhou a vir.
Carlos parou ainda olhando confuso para o paciente, com uma prancheta inteira para preencher e nada o que escrever. Revisou seu histórico médico, que dizia que o apêndice estava em ótimas condições, mesmo o paciente continuando a reclamar de dores.
- Está tudo bem, então me diga, o que o senhor sente e como?
O paciente respirou fundo antes de começar a responder as suas perguntas.
- Bom, eu comecei a sentir meu apêndice latejar há alguns meses. A dor vem do nada sabe? Se vejo alguma coisa ela dói, se escuto uma música ou outra ela dói, se vou a algum lugar depois disso, ela continua doendo, e se esbarro... Aí! – o paciente parou replicando uma careta – demora horas para fazê-lo parar de doer.
- Mas Pedro, seu apêndice está ótimo! Não está inflamado, caso contrario você já estaria morto. Creio que deve ser outra coisa.
O paciente nervoso bateu em sua testa, respirando profundamente mais uma vez para se acalmar.
- Doutor, olha, o senhor não acha que os outros não tem consciência da apêndice que tem?
-Bom – pigarreou – Meu apêndice está ótimo.
-Pois bem, o meu não.
O astuto psicólogo pensou numa forma de enganar seu paciente, até que então resolveu entrar no jogo.
- Tudo bem então Pedro, bom acho que meu apêndice dói algumas vezes também, mas sempre há um motivo. Explique-me, o que faz seu apêndice doer?
Pedro então começou a tudo que fazia seu apêndice doer. Carlos fazia o maior esforço para entender o que seu paciente dizia, e quando terminou, ele pediu para repetir mais uma vez para que pudesse entender completamente.
Quando entendeu, o medicou começou a recomendar o que seu paciente teria que fazer para seu apêndice parar de doer.
- E volte aqui caso não melhore! –completou.
Então um dia se passou, e o paciente não voltou ao consultório. No segundo dia o doutor já se auto-parabenizava pelo exímio trabalho que havia feito. Depois de um tempo, até esquecera-se de Pedro, e foi então que chegando atrasado ao seu consultório no fim de semana, assustou-se.
-Pedro?! O que faz aqui? Qual o problema?
Pedro pigarreou envergonhado.
- Minha apêndice não dói mais.
- Ora! Que maravilha! E isto é bom, não é?
Silêncio.

quarta-feira, 2 de março de 2011


- Vamos fazer um acordo?
O garoto parou, sem saber o que dizer ou o que fazer, vendo a apreensão nos olhos da garota, ele apenas se calou e assentiu.
- Eu prometo que finjo que não te vejo mais – ela hesitou olhando para os lados e chegando mais perto – E você promete, promete que some.
- Como assim, eu não consigo te entender... Você quer que eu suma?
- Claro que sim, não seria tão difícil... Eu lembro de não te ver, por que não agora?
A garota hesitou, enxugando os olhos que ameaçavam de mostrar quão fraca ela realmente era. Ela se sentia uma idiota – uma completa idiota –, principalmente por se sentir assim, pois sabia que não importava quantas palavras sem fundamentos ela dissesse, não faria diferença, não mudaria nada, ela continuaria sendo uma fraca, ele um presente, e os dois, uns separados.
- Se você quiser que eu vá, eu vou.
A garota nada disse, esperando que ele fosse logo de uma vez, que a deixasse, porque assim era mais fácil, porém todo mundo sabe que o destino não se preocupa com a facilidade, só ela que não queria acreditar.
O garoto então fechou os olhos dando um grande suspiro. Ele olhou os corredores vazios, e depois de fitar tudo, voltou a encarar o que mais queria ver, ela. Se aproximando ainda mais da garota, ele olhava por cima do óculos bem no fundo dos olhos dela.
- Não se pode terminar uma coisa que ainda não começou.
                Dando um pequeno beijo nos lábios da garota, ele deu as costas, respirando fundo novamente, começou a andar.