Teresinha
ajeitava os cabelos compulsivamente enquanto esperava seu amado em um café
qualquer da cidade.
Conferia
para ver se estava bela! Pois como amante, deveria ser bela, impecável. Não, mais
do que isso! Não bastava estar bela, tudo deveria estar e ser perfeito, porque
quando se está apaixonado, os desejos sedentos por perfeição que estão cativos
no coração enamorado, não se apetecem exclusivamente com beleza, pelo menos que
não seja de um doce momento ao lado de seu amado.
Então, vestida com uma camisa listrada, sabia era
chegada a hora de colocar o seu passado de mantos negros e molhados de água
salgada para trás, pois dessa vez seria a hora: a hora que o terceiro chegaria
– e ele não tardaria a chegar! – Foi o que pensou.
E
realmente não tardou, chegou pontualmente e sentou-se à mesa. Os dois pediram
alguma coisa qualquer para comer, omeletes, cappuccinos – talvez –, e passaram
uma tarde maravilhosa juntos.
Ah sim,
o coração desconfiado de Teresinha (já tocado e arranhado), podia não bater mais
forte, todavia, martelava feliz, como há muito não fazia.
E por
essa estranha, e quase desconhecida felicidade, seu coração desconfiado foi
sendo seduzido. Uma canção cantada com carinho, um sorriso cativante, um
roubado e delicioso beijo gélido, aquele doce cuidado a mais... Para ela, cada
mimo servia como uma confirmação de que, esse sim, era o seu tão esperado terceiro,
o qual poderia ,finalmente, entregar-se.
Porém,
com todo o júbilo inebriando seus pensamentos, esquecera-se de um importante
fato: o perigo de se deixar envolver pela melodia apaixonante dos rouxinóis que
cantarolam pela manhã, é que o silêncio se tornara ainda mais mortífero ao
anoitecer – qual em muitas vezes, não tarda a chegar.
E
realmente não tardou.
Com o
crepúsculo tecendo-se sobre o céu, o amado e amante, aninharam-se novamente; os
olhos desejosos, as mãos entrelaçadas. Faziam isso não para regozijar de afagos
de um fogo que arde sem se ver, e sim, para unicamente, findar aquele momento
que chegara de repente, não mais que de repente.
Despediram-se, então, com um
forte abraço, e seguiram com seus rumos.
Entristecida,
tornou aos velhos hábitos, até os mantos negros haviam retornado ao
guarda-roupa. Mais uma vez, Teresinha encontrava-se enganada. Afinal, toda aquela
história não passara de uma efêmera aventura. Enganara-se achando que era
chegada a hora do terceiro, qual apareceria um dia, deveras, embora sorrateiramente.
Contudo, perdurava juntamente com
seus prantos, o questionamento de quando chegaria o seu verdadeiro amado?
Vieram os quartos, quintos,
sextos, e Teresinha sempre com sua vã esperança de que, a qualquer momento,
aquele terceiro chegaria do nada...
Porque Teresinha tinha esse
irritante complexo de desejar ser feliz através do amor, e esperava ansiosamente por aquele que seria o seu
terceiro – que nem mesmo sabia se um dia chegaria.
