Translate

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Complexo de Teresinha


                Teresinha ajeitava os cabelos compulsivamente enquanto esperava seu amado em um café qualquer da cidade.
                Conferia para ver se estava bela! Pois como amante, deveria ser bela, impecável. Não, mais do que isso! Não bastava estar bela, tudo deveria estar e ser perfeito, porque quando se está apaixonado, os desejos sedentos por perfeição que estão cativos no coração enamorado, não se apetecem exclusivamente com beleza, pelo menos que não seja de um doce momento ao lado de seu amado.
 Então, vestida com uma camisa listrada, sabia era chegada a hora de colocar o seu passado de mantos negros e molhados de água salgada para trás, pois dessa vez seria a hora: a hora que o terceiro chegaria – e ele não tardaria a chegar! – Foi o que pensou.
                E realmente não tardou, chegou pontualmente e sentou-se à mesa. Os dois pediram alguma coisa qualquer para comer, omeletes, cappuccinos – talvez –, e passaram uma tarde maravilhosa juntos.
                Ah sim, o coração desconfiado de Teresinha (já tocado e arranhado), podia não bater mais forte, todavia, martelava feliz, como há muito não fazia.
                E por essa estranha, e quase desconhecida felicidade, seu coração desconfiado foi sendo seduzido. Uma canção cantada com carinho, um sorriso cativante, um roubado e delicioso beijo gélido, aquele doce cuidado a mais... Para ela, cada mimo servia como uma confirmação de que, esse sim, era o seu tão esperado terceiro,  o qual poderia ,finalmente, entregar-se.
                Porém, com todo o júbilo inebriando seus pensamentos, esquecera-se de um importante fato: o perigo de se deixar envolver pela melodia apaixonante dos rouxinóis que cantarolam pela manhã, é que o silêncio se tornara ainda mais mortífero ao anoitecer – qual em muitas vezes, não tarda a chegar.
                E realmente não tardou.
                Com o crepúsculo tecendo-se sobre o céu, o amado e amante, aninharam-se novamente; os olhos desejosos, as mãos entrelaçadas. Faziam isso não para regozijar de afagos de um fogo que arde sem se ver, e sim, para unicamente, findar aquele momento que chegara de repente, não mais que de repente.
Despediram-se, então, com um forte abraço, e seguiram com seus rumos.
                Entristecida, tornou aos velhos hábitos, até os mantos negros haviam retornado ao guarda-roupa. Mais uma vez, Teresinha encontrava-se enganada. Afinal, toda aquela história não passara de uma efêmera aventura. Enganara-se achando que era chegada a hora do terceiro, qual apareceria um dia, deveras, embora sorrateiramente.
Contudo, perdurava juntamente com seus prantos, o questionamento de quando chegaria o seu verdadeiro amado?
Vieram os quartos, quintos, sextos, e Teresinha sempre com sua vã esperança de que, a qualquer momento, aquele terceiro chegaria do nada...
Porque Teresinha tinha esse irritante complexo de desejar ser feliz através do amor, e esperava ansiosamente por aquele que seria o seu terceiro – que nem mesmo sabia se um dia chegaria.