Translate

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Tròis

― Você é um gatinho medroso ― sussurrava Fernando em meus ouvidos ― sabia disso?
                A medida que seu hálito quente roçava em meus pescoço, eriçando todos os pelos de minha nuca, mais meu coração parecia solavancar intensamente - era uma sensação estranhamente gostosa.
                ― E-E o que você quer?
               ― Eu? ― perguntou-me ele ainda em sussurros sem parar de me fitar com aqueles olhos azuis a poucos centímetros dos meus ― Eu quero você, meu amigo... Mas principalmente, quero que você se divirta...
                ― Isso! ― Camila veio e se sentou do meu lado, aproximou-se da minha orelha direita e a mordiscou levemente antes de entrar na conversa arfando fraco ― Ou se diverte... ― mordiscado ― Ou nada feito. É assim que o jogo funciona!
                Assim como fora com Fernando há pouco tempo, meu corpo simplesmente enlouqueceu logo que a boca de Camila se aproximou da minha orelha... Ah, era meu ponto fraco, e os dois já pareciam saber disto.
                Dei um longo suspiro procurando me acalmar, enquanto procurava em algum lugar das minhas memórias a explicação para como havia entrado nessa.
                Camila e Fernando eram namorados, e meus amigos; não tão próximos, embora no fim, amigos. A verdade é que eu sempre fora louco por Camila, então, era preciso somente uma brecha para que eu me aproveitasse e aproximasse dela, sem me importar com Fernando. Conversas por bate-papo, mensagens no celular, tudo para chegar mais perto dela... Mas foi somente quando estávamos bebendo todos juntos na casa de Fernando que tudo começou a acontecer.
                Antes de me perder no delírio dos fatos, permita-me explicar a razão de minha loucura por aquela mulher. Camila era incrivelmente linda! Sua pele era de tom moreno, seus lábios finos traçavam linhas bem desenhadas, que despertava o desejo eminente e incontrolável de beijá-la... Os cabelos eram castanhos escuros que escorriam-se pelo seus ombros e iam até os seus seios. Ah e que seios! Ela tinha um corpo que fazia qualquer um acreditar no paraíso, ou então o inferno... Pois um corpo daquele, meu caro, era tentação na certa!
                No entanto, como dito, Camila era de outro cara: Fernando. Sabe, ele não era tão mal assim... Ah, o que estou dizendo? O cara era incrível também. Era alto ― mais ou menos um metro e oitenta ― com ombros largos e músculos bem definidos por todos os lugares, principalmente na barriga. Tinha penetrantes olhos azuis, um queixo recoberto de barba recém-feita com uma covinha na ponta, e para completar o pacote, também possuía uma voz rouca e aveludada, do tipo o qual, até eu, que nunca havia prestado atenção em... Bom, em homens, fazia-me ficar todo eriçado ― E dessa vez, não me refiro somente aos pelos do corpo.
                E naquele momento, por mais insano que parecesse, eu possuía os dois, bem ali, a poucos centímetros do meu corpo ensandecido de tanta excitação. Contudo, eu ainda permanecia tão tenso e estático que minhas mãos pareciam ter virado pedra, não ousando desbravar nenhum centímetro dos corpos daqueles dois.
                Felizmente, foi Camila quem reverteu a situação.
                ― Vem ― disse ela se pondo de pé e me puxando pelo pulso ― Vamos dançar!
                ― Não, eu...
                Fui incapaz de terminar a frase, pois Camila houvera me puxado com muita força para perto de si, dando-me um beijo. E que beijo...

                Suas mãos seguraram as minhas e levemente foi guiando-as por seu corpo, passou por  seus quadris e foi repousar um pouco mais a baixo...
                Seu corpo começou a se remexer sensualmente  no ritmo da música, seus lábios também dançavam por minha pele beijando meu peito, pescoço e ouvido, de uma forma quente e bem molhada. Vez ou outra, meus olhos vacilavam para Fernando enquanto sua namorada fazia carinhos pelo meu corpo. Ele permanecia sentado no sofá com seu copo de uísque, nos fitando com um sucinto prazer naqueles olhos azuis, de certo, sua mente trabalha em desejos profanos, pois sempre que nossos olhares se cruzavam, Fernando exibia um sorriso ainda mais malicioso do que a forma que me encarava.
― Ele não vem? ― perguntei entre um beijo e outro para Camila.
― Agora não ― respondia-me ela, quase sem descolar os lábios dos meus ― Parece que ela sente tesão em me ver com você...
― Tesão... Em mim?
Camila assentiu e continuamos a dançar. Não durou muito para que Fernando terminasse o que restava de uísque em seu copo com um único gole, e levantou-se, vindo em nossa direção com aquele mesmo sorriso cravado na boca.
― Ei, gatinho medroso, você poderia pegar mais para nós? ― perguntou Fernando por cima dos meus ombros.
Ele me entregou o copo e fui até o barzinho que ficava num canto distante da sala, deixando-os mais reservados. Os dois começaram a dançar e cochichar alguma coisa sem que eu pudesse ouvir.
Mesmo curioso, dei de ombros e aproveitei essa pausa para me acalmar um pouco mais. Eu estava completamente excitado por causa da dança, e mesmo um pouco longe, ainda sentia a sensação daquele corpo grudado ao meu, o toque dos seus seios, a umidez de sua língua... Ah, sim,  minhas mãos tremiam com um misto de desejo e nervosismo, e por alguns segundos, deixei que Eros me arrastasse daquela pequena festa da qual só fui trazido de volta com o soar de uma voz galante:
― Ei, medroso, você está colocando gelo demais.  ― Fernando estava colado bem atrás de mim. Eu tinha me distraído de tal maneira que só o percebi quando seu corpo encaixou-se no meu.  ― Se ficar muito aguado, o gosto fica sem graça...
― Foi mal, cara, eu não sabia...
― Tudo bem, não precisa se desculpar ― Novamente sua boca pairava a milímetros de meu ouvido e todas as palavras ditas não passaram de leves sussurros. Lentamente, seus dedos quentes desceram por meu ombro até segurarem a mão que estava o copo ― Vem cá, deixa que eu te ensinar uma coisa.
Fernando virou meu corpo, sem retirar seus olhos dos meus, pegou o copo da minha mão e o colocou sobre o balcão de madeira.
― Como vou colocar o gelo sem o copo? ― arfei com uma voz atrapalhada de nervosismo.
― Gelo? Nunca disse que era sobre o gelo.
Então aconteceu, em um segundo, a boca vermelha de Fernando veio de encontro a minha num beijo. Inicialmente fiquei estático, sem saber o que fazer, afinal, era a primeira vez que um homem grudava seu corpo no meu e me beijava, e a sensação que meu corpo experimentou... Bom, as opções que me restavam eram claras: eu poderia retribuir aquele beijo, ou negá-lo, empurrando-o para longe... Meu caros amigos, o que é a vida se não um amontado de experiências? Logo, optei pela melhor opção: a primeira.
Meus braços se fecharam laçando seu corpo e intensificando pressão sobre o meu, pois se eu ia me amassar com um cara, iria degustar cada centímetro que me fosse oferecido. Dessa forma, uma de minhas mãos logo desceram até a sua bunda, enquanto a outra a outra ia até o seu cabelo, entrelaçando meus dedos nos fios castanhos e desgrenhados.
Foi pego de surpresa quando descobri que o seu beijo me dava tanto tesão quanto o de Camila. Não só o seu beijo, mas também seu corpo quente junto ao meu, fazendo-me sentir cada músculos sobre minha pele.  Nossas aventureiras mãos percorriam sem censura ou receio algum, tocando-o em regiões que nunca achei que um dia sentiria prazer em tocar. E para ser franco, Fernando era excitante pra caralho! Eu curtia cada centímetro, cada beijo, cada afago... Até mesmo da sua barba rala roçando em meu pescoço, e o volume dentro de sua calça me deixava ainda mais excitado.
― Não vão me deixar sozinha aqui, hein! ― Camila se pôs lentamente entre nós dois, afastando-nos e obrigando-nos a parar de beijar ― Eu também quero brincar!
Fernando sorriu embriagado de luxúria, e como estava de frente para ela, a beijou dividindo suas mãos, uma segurava seu rosto firmemente, enquanto a outra, puxava-me para perto do corpo daquela deusa.
Sim, mergulhei no jogo daqueles dois e  levei meus lábios à nuca de Camila, ora beijando-a e passando a língua, ora mordendo-a e dando chupões de leve que eram recebidos por suaves gemidos.
Dançávamos os três em perfeita sincronia com o prazer. Não importava mais naquela hora nossos sexos, e sim os beijos, e prazeres que desatavam em nós um excitante comichão generalizado em todo o corpo – Claro que no meu e no de Fernando, esses comichões fossem mais fortes em um lugar em particular.

Continuava nervoso, é claro. Meu coração ainda parecia um louco, martelando freneticamente em meu peito, minha respiração estava pesada, arfante; e embora em meus momentos de fetiches isso nunca tivesse passado por minha cabeça, não podia deixar de negar que à cada segundo, o quanto eu desejava que aquilo houvesse acontecido mais cedo... O quanto eu desejava queimar no fogo de nossos prazeres.
Em algum momento, Camila puxou-me para frente, fazendo-me tomar sua posição entre os dois. Eu e Fernando voltamos a nos beijar por alguns segundos antes que ele me fizesse virar, fazendo-me dar as costas, ficando de frente para sua namorada, a qual não tardou para grudar seus lábios nos meus.
― Olha só, o gatinho medroso... ― sussurrou ele, revezando as palavras entre um afago e outro com a boca em meus pescoço ― Deixou o medo de lado?
― Anham ― respondi adorando a sensação que sua língua me trazia ao zanzar por meu pescoço ― Troquei o medo pela luxúria, meu caro... Por quê? Ficou com medo de acabar de quatro?
― Medo?! Não, muito pelo contrário, fiquei ainda mais excitado!
Sorri e Fernando pegou uma de minhas mãos, colocando-a em sua calça somente para ratificar o que já houvera dito antes. Sim, estava tão excitado que seu pau mais parecia uma pedra. Tudo isso acontecia sem que Camila parasse de me beijar. É claro que os dois não pararam de trocar carícias, o que me deixava com mais tesão era quando seus rostos se encontravam na exploração do meu corpo. Não fiquei parado um único segundo sendo o recheio daquele sanduíche, também apalpava cada parte que conseguia alcançar; minhas mãos tocavam os fartos seios de Camila e desciam por sua barriga até aquele lugar em particular, enquanto a outra fazia movimentos para cima e para baixo, masturbando Fernando por cima da calça.
― Por que nunca fizemos isso antes?! ― perguntei quando demos uma pequena trégua para que Fernando pudesse pegar mais uísque no barzinho.
― Porque não sabíamos como você iria reagir - disse Camila, colando seu corpo no meu, fazendo-me sentir seus deliciosos seios em meu tórax.
― Ah... Mas... Bom, realmente, acho que se vocês houvessem chegado para mim e fizessem essa proposta, eu teria negado ― enquanto falava, lentamente retirava sua camiseta, deixando-a somente de sutiã.
― Você não está gostando? ― Perguntou F, do outro lado da sala.
― Estou adorando, por quê?
―Porque é difícil deixarmos o moralismo de lado, e isso acaba atrapalhando nossas experiências ― respondeu-me ele, caminhando em minha direção ― Ou seja, o moralismo é a pior de todas as censuras.
― E chega de censuras, certo? ― completou Camila.
― Certo!
― Então deixa comigo! ― disse Fernando com aquele sorriso malicioso.
Ele parou bem perto de mim, colocou as mãos quentes em minha nuca e foi descendo seu corpo lentamente. Seus lábios beijavam tudo o que encontrava... Meus peitos, minha barriga... Só parou quando chegou em meu sinto, o qual na mesma hora começou a desafivela-lo.

            ― Vem – sussurrou novamente ― vamos começar com essa festa logo de uma vez.