- Ei, aí é a esquerda.
César parou, olhou para mim e abriu um sorriso de quem se diz “Ah é, essa é a esquerda.”, e continuou a andar.
Claro que eu – de uma certa forma – poderia dar as costas e seguir o meu caminho, mas resolvi por segui-lo.
Caminhamos assim ainda algum tempo antes que eu explodisse.
- Aí é a esquerda! Esquerda é diferente da direita!
- Eu sei – disse ele aveludadamente – Eu sei que aqui é a esquerda.
- Se sabe que aí é a esquerda, por que me disse então que adora ir pela direita?
- Ah é, eu adoro ir pela direita.
Calou-se e continuou a andar.
Como sempre fazia, fiz um gesto de segurar uma arma na mão e lhe dar um tiro, desejando que houvesse uma bala verdadeira.
- Ei, ei já chega! Já chega! Isso é esquerda, e você disse que o caminho era pela direita...
- E eu adoro a direita. – Completou.
- Mas então, me diz de uma vez por todas, por que ainda fica indo pela esquerda? Agindo como se o caminho realmente fosse esse?
César se calou retorceu a boca com um ar pensativo.
- É, o caminho é pela direita... E eu adoro a direita, já te disse? Já né?
- Já... Disse.
- É, adoro a direita.
Falou com um largo sorriso no rosto, virou-se e continuou a andar pela esquerda.




