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domingo, 29 de maio de 2011

Dança de viagem.

                Elizabeth dançava radiantemente, seus cabelos cacheados voavam ao vento como uma cortina, e um sorriso tão iluminado quanto o sol forte – ou até mesmo sua dança – se exibia entre a cara pintada com sardas.
                - Vamos Louis! – Dizia-me ela me puxando para dançar também – Pare de pensar em trovas, e venha cá dançar comigo.
                Todos do caís pararam para nos olhar, e o mastro ao mando de Elih, começou a tocar uma música animada, que fazia até meus músculos de um velho adiantado, quererem remexer-se juntamente com ela.
                - Só essa dança, vamos lá, você me deve Louis.
                Abri um sorriso de valer a pena, e sem delongas a acompanhei na dança. A música de Elizabeth era contagiante, inundava meu corpo sem pedir permissão, mexia comigo e bagunçavam meus pensamentos, me deixava quente e feliz.
                - Desculpe-me novamente por minha ausência – dizia enquanto dançávamos sem parar – Eu sei que as culpadas são essas minhas viagens às fontes, mas é preciso sempre navegar.
                - Não fale nada agora Louis, aproveite, dance, pois sempre que falamos algo, surge um perigo, por isso, fiquemos tranquilos nessa dança, e aquietemos nossas palavras já tão gastas. Já que depois você irá viajar novamente, e só Deus saberá quando iremos nos ver outra vez.
                - Logo – prometi.
                - Por favor, não me faça mais promessas que não pode cumprir, apenas venha, dance, e me deixe inteiramente feliz.
                - Mas eu sei que venho logo, não se preocupe.
                Elih gargalhou jogando a cabeça para trás, os cabelos cortinosos novamente voando ao léu, seus dentes juntos e belos – pois esses eram sim, ela gostando ou não – a mostra, sem ao menos cessar com os passos dançantes.
                - Ai Louis, você ,mais do que ninguém, sabe o quanto imprevisível pode ser um Leão, indomável, viajante, sedento... Não me prometa que voltará logo, porque assim, ficarei esperando, e esperando, esse barco voltar novamente a ancorar neste porto. Já me vejo até comendo feito uma louca lúcida.
                - Não há nada de errado em comer moça!
                - Nem em deixar de comer.
                Elih então parou de dançar, ofegando e soando. Parei de dançar também e a música se deteve, e ficamos apenas fitando os olhos.
                - Eu sei que você estará em boas mãos Elih – disse mansamente ajeitando seus cabelos do rosto – Aprenda o máximo que poder, pois a paixão é uma ótima matéria da escola da vida, mas disso já conversamos.
                Elih mordeu os lábios fazendo uma careta, e cruzando os lábios virou a cara.
                - O que foi?
                - Estou me controlando para não te fazer perguntas...
                - Tudo bem, esta é a hora.
                - Até onde você irá dessa vez, Louis meu?
                Parei para pensar em sua perguntar que nem mesmo sabia a resposta. Tal mar que estava prestes a desbravar, havia águas tão negras, e ao mesmo tempo tão brancas e na melhor – ou pior – das hipóteses, teriam águas geométricas, mas isso eram coisas para outras prosas.
                - Eu não sei – disse inseguro fitando o possível mar futuro – Talvez até onde meu bilhetinho da loteria me leve, contudo Elih, Escute-me, não me interessa o que você ache quanto a isto, pois eu prometo, prometo, que voltarei em sumo o mesmo.
                - Você sempre volta.
                Assenti levemente com um sorriso acanhado nos lábios. E então estávamos no caís, sem música, sem danças, falas ou trovas, nos restando apenas nossa despedida.
                Com um abraço duradouro, daqueles que mais parece que estamos tentando arrancar um pedaço de quem está em nossos braços, para se colocar em nosso peito, dissemos mil palavras que ainda restavam a ser ditas, mas que apenas nossos peitos colados poderiam dizer.  E dando de costas um para o outro, estávamos sim, podres de felizes, esperando até que novamente nos reencontrássemos em um caís do barroco.
                


sexta-feira, 6 de maio de 2011


                Os dois se encaravam, aquele olhar misterioso que só eles sabiam o que significava. Sentiam calor – ah sim, e como sentiam -, o que era de se esperar de estar ali, os dois juntos, e naquele lugar, a tensão dos dois por serem a primeira vez, os faziam suar, e ofegar.
Ambos tinham se preparado da sua forma, afinal de contas, a preparação de um homem é diferente de uma mulher, principalmente para o que os dois estavam prestes a fazer.
                - Por favor – Sussurrou ela -  Eu sei como você pode ser bruto, então, vá com calma.
                - Pode deixar, eu aprendi a ir direito... Está pronta?
                Ela engoliu em seco, mas no fim, assentiu com a cabeça.
                - Amém então irmã, pode ir pegar o dízimo que eu começo a missa.
                - Amém – completou ela.

Nota: Somente uma unica pessoa irá entender. KKKK Olha a maravilha que seria!
K.C for S.


A caixa.

O local estava completamente abarrotado de pessoas, umas conversavam, comiam, procuravam, ou simplesmente passavam. E foi em meio dessa intensa e cotidiana correria que tudo aconteceu.
                Um velho de covas no rosto olhava pra sua pequena caixa que ele acabara de deixar, conferia a face a procura de algo estranho – como “patas” de algum molusco, por exemplo -, e sentia-se aliviado por nada encontrar.
                Então está feito, pensou ele com um suspiro longo e mórbido., e sem mais delongas deu as costas para a caixa e começou a andar.
                Mas o lugar era grande e abarrotado demais para que ninguém percebesse o que se passava, o velho nem mesmo se quer houvera tomado cuidado em esconder que tinha deixado sua caixa para trás, abandonada e desistida, e um outro jovem percebera, correu até o pacote, curioso para saber o que havia dentro dele.
                Não precisava que o jovem olhasse duas vezes para reconhecer o que havia lá dentro, e ao abrir se assustou. Aquilo era valioso demais para ser jogado assim, ao léu. Que louco! Irresponsável! Pensou o indignado recolhendo a caixinha, colocando-a debaixo do braço, e logo tratou de procurar o velho para devolvê-la, o que foi fácil, pois o velho andava lento demais.
                - Senhor! Senhor!
                O jovem precisou fritar no mínimo mais três vezes para que o velho escutasse.
                - Pois não? – respondeu o perseguido com fleuma.
                - Senhor, o que houve? – apressou-se o jovem – por que está partindo assim?
                - Desculpe-me, mas não sei do que falas. Tem certeza de que é com a pessoa certa com quem está falando? Já me confundiram muito com outras pessoas na vida.
                O jovem se irritou.
                - Claro que é com o senhor! Não se faça de desentendido, você muito bem do que estou falando. Da caixa! Não, do que está dentro dela!
                O rapaz então mostrou a caixa com o nome frágil escrito. O velho olhou, ele a reconhecia era claro, e muito bem, pois ela não fora esquecida por descuido, e sim abandonada.
                - O que tem?
                - O que tem?! Por que a joga fora? Não sabe o valor que isto tem?
                - Costumava saber. -  respondeu o velho, tão fleumo, tão impassível, que só irritava ainda mais o jovem – Por que me perguntas isso?
                - Porque me aborrece o desperdício! Tantas pessoas queriam ter o que está dentro da sua caixa e você, por só Deus sabe o motivo, o abandona como nada valesse.
                - Não me importo. – dizia o velho – Talvez volte a procurar o que há dentro da caixa, não hoje nem amanhã, porém no momento não me importa o valor que tenha, já nem mesmo faz parte de mim, e me canso de segurá-lo por aí, porque simplesmente cansa.
                - E os pelos que nele podem crescer? Isso não te importa também?
                O velho simplesmente balançou a cabeça.
                - Agradeço – disse ele numa educação seca – mas preciso voltar agora, está ficando tarde e a responsabilidade prevalece. Até a vista meu jovem.
                E saiu o velho andando novamente, e o jovem mesmo sem entendê-lo, o deixou ir sem mais impedimentos, porque apesar de tudo ele entedia uma coisa: não se retruca com pessoas que deixam para trás aquilo que ele deixara.
                E colocando a caixa de volta onde encontrara, o jovem voltou a fazer seus afazeres, pois a responsabilidade prevalece.