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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Zoológico.

                Minha vida é como um zoológico. Isso mesmo, aqueles cheio de animais esquisitos, que os pais pagam para levar seus filhos para olhá-los, e fazê-los sentir vontade de tocar nos bichinhos. Bom, só o que falta é isso, dinheiro, ou melhor, pessoas que me paguem para ver meus animais passados. Ah, mas deixarei para chorar migalhas em algum programa de domingo qualquer, pode ser que eu ganhe até uma casa novinha com isso.
                Como ia dizendo, minha vida já virou um zoológico, então, vou fazer uma propaganda de que há nele.
                Eu sou um Leão preso – não o único do zoológico, mas preso sim -, já fui apaixonado por uma Vaca profana, minha amiga siúmenta ( com s mesmo) chama minhas outras amigas de catitas, minha avó é uma coruja, meu primo mais parece o dumbo –pelas orelhas, certo? –, meu irmão é igualzinho a um macaco, e minha mãe vive chamando meu pai de cachorro.
Meu zoológico possui vagas de estacionamento vazias, com lugares reservados para Ferraris – Pretas de preferência –, e também umas tendinhas com videntes que sempre acertam, pode apostar.  Há algum tempo havia um planetário também, mas esse já faz tempo que fora desativado, por falta de Lua e Estrela.
Tem pessoas que mais parecem ursos – mas esses são de pelúcias -, que nos despertam saudades e uma vontade de abraçar e ficar abraçado, no frio essa vontade aumenta, por isso, se resolver ir num dia de chuva é perfeito, só tem que pegar fila está certo?
Algumas vezes me finjo de bicho preguiça, dou coice feito cavalo, também viro urso para dar abraços e lanço um olhar de cachorro pidão.
Parece confuso, mas todo zoológico é assim.
É, acho que agora já posso chorar migalhas no domingo... Qual é o Email do Gugu mesmo?


terça-feira, 28 de junho de 2011

...

                 O pequeno garoto ia resmungando silenciosamente com a cara emburrada, enquanto era arrastado pelas suas responsabilidades.
                -Acorda! – dizia uma grande garota grande só para implicar.
                -Humpf! – era o que respondia o garotinho.
                E assim, preso, calado, e emburrado, o garotinho coçava os olhos, ressacado, e logo em seguida, os abria e olhava em volta como se houvesse perdido algo realmente valioso, algo que realmente fosse seu.
                - O que você está procurando?
                - Ora o quê! Se eles querem que venhamos para cá, deveria pelo menos deixar amanhecer... Bom, já que só amanhece de verdade aqui, deveriam pelo menos amanhecer na porta, né?
                - Ficou maluco menino? O sol já está raiando lá fora.
                - Eu disse amanhecer, não amanhecido.
                - Como assim?
                - Ah – ele se calou rindo sem jeito, sua cara vermelha de vergonha, tão vermelho quanto o que ele pensava – Você já achou algo tão belo, mas tão belo, que é como se fosse um amanhecer de um dia?
                - Luminoso?
                - Não exatamente... Bom, algo lindo que faça o seu coração explodir dentro do peito sabe? Ou vai me dizer que você nunca sentiu o coração bater mais forte quando vê um amanhecer?
                - Já mas, o que isso tem haver?
                - Então...
               
                   <3

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vício

                Todos nós temos os nosso vícios. Minha mãe por exemplo, quando era mais moça – ou nem tanto – era viciada em jogos de azar, que iam de corrida de cavalos até cassaniqueis  em bares de esquina. Vovó até um tempo atrás, recebia a maior atenção das criança ao ser confundida com a Caipora ou uma Maria fumaça. Comigo, claro que não poderia ser muito diferente.
                O que é diferente mesmo é o meu vício.
                - Ei, para que você quer essa bombinha?
                -Ah, é para mim.
                - Você é asmático?
                -Não, não. É para o meu vício.
                Claro que a pessoa não entenderia do que eu estava falando – como sempre -, mas não me deixaria notar isso.
                - Ah... Você coleciona bombinhas então?
                -Não, “situações asmáticas”. Bom, nunca se sabe quando precisarei de uma belezinha dessas não é?
                Por aí você imagina o quanto eu gostaria de colecionar selos – ou não, acho que estou sendo hipócrita de novo -, ver aquelas imagens do Cristo Redentor, torre de Eiffel, ou a ilha de lost – esse seria o selo de messejana -,mas mão! Meu vício tinha logo que ser outro.
                Ah, para falar a verdade, tenho mais de um vício. Escrever, esse é outro, no entanto,  acho que a melhor classificação para ele seria Hobbie, pois com  ele, só o que me rende são algumas canetas e umas aulas de física perdidas – que minha mãe não leia isto -, logo não é nada demais.
                Mas o pior de tudo é quando você ama seu vício. Bom, acho que todos, de uma certa forma, são assim, caso contrario teria outro nome.
                Você não quer deixa-lo de lado, e mesmo que desejasse, aposto meu celular – que já não está grande coisa – que você não encontraria algum centro de recuperação e ajuda.
                - Alô? É do centro de ajuda para todos os vícios?
                - E sim, pois não?
                - Ah! – aliviado por enfim ligar certo – Eu queria me recuperar sabe? O que preciso fazer?
                -Hmm... É ótimo quando um leão vem até nós! Nossos planos inclui a melhor moradia e atendimentos, pois aqui... – momento de propaganda, que demoraria dez minutos -... Porém, o primeiro passo, é assumir que é um viciado, vamos lá, diga!
                - Eu... Sou.. Um viciado...
                - Mais alto! Animação! Este é o primeiro passo.
                - Eu sou um viciado. Eu sou um viciado.
                -Mais alto! Grite!
                - EU SOU UM VICIADO!!! EU SOU UM VICIADO!!!
                - TA GRITANDO PAR AO TELEFONE POR QUE MENINO, ENLOUQUECEU DE VEZ FOI?
                - Desculpe mãe.
                É, não acho que daria muito certo se houvesse também. Sendo assim só tenho uma coisa a se fazer.
                É assumir que eu sou um viciado, pois esse é o primeiro passo.