O cenário estava abarrotado. Em meio aos dramas e prazeres daquelas duas narrativas, o movimento era geral, o contra regra nunca pareceu tão ocupado, empenhado naquela entrada e saída de personagens. As cenas memoráveis eram sendo construídas.
Animado, o ator enfentiou-se em seu camarim. Cortara cabelo, fizera a barba, perfumara-se com a su melhor fragrância. Passara noites em claro fantasiando o seu momento da cena, a sua entrada na narrativa.
Toc-toc - que mais pareceu um alarme de ameaça nuclear. Era chegado o momento.
No envelope o tão esperado roteiro.
Ele o pegou com mãos e olhos ávidos, tragou as primeiras linhas em busca do seu nome. As linhas tornaram-se parágrafos, parágrafos viraram páginas, que logo vieram a ser capítulos e mais capítulos. Cenas após cena, seu personagem era apenas mencionado, de passagem. Uma aparição ali, aqui.
Foi só então, que entendeu: ele era um figurante.