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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

...

— Você está feliz agora?
Se eu estava feliz? Eu a tinha em meus braços; quente, macia. Então claro que sim, eu estava mais que em júbilo.
Afaguei seus cabelos dourados sob meu queixo. Apesar de estar delirando, eu não ousava dizer nada, talvez nem quisesse, pois assim estava bom, e definitivamente, era assim que tinha que estar.
— Fale alguma coisa! – ela não se aguentou de tão nervosa e pisou de leve em meu pé.
— Ai! Mas eu estou falando! E estou falando uma coisa que nem se quer preciso falar.
Ela apertou ainda mais seu abraço, afundando seu rosto em meu ombro. Sua respiração, a cada segundo que passava, ficava descoordenada, até começar a dar pequenos soluços.
— Ei, você está chorando? — perguntei confuso — Está chorando mesmo? Por que o choro?
Sem responder de primeira, desatou a soluçar. Isso me deixava nervoso, e até com medo, será que ela havia desistido?
Repeti a pergunta, dessa vez, mais mansamente, aninhando-a em meu peito. Seus soluços iam se acalmando, até quase não haver soluço algum.
— Mas e se descobrirem? E se não der certo? — ela disse com uma linda voz chorosa — Sabe, nós.
Eu não acreditava no que ela estava dizendo, depois de tudo, de todos os meses, e agora ela se arrependia?
— Está arrependida? — não pude conter a ânsia de resposta, precisava perguntar, arrancar de vez a erva daninha que instalara-se em meu peito. Estaria ela arrependida, afinal?
— Não, não é isso! — balançou, ela, a cabeça furtivamente sem retirá-la do meu umbro — Eu só tenho medo.
Medo? Apesar de tudo, sua resposta me trouxe um pouco de calma. Ela não estava arrependida, só tinha medo, o que era bem típico dela.
— E se o mundo acabar daqui a cinco minutos? E se et’s de verdade invadirem a terra e a levarem de mim? Sim, et’s de verdade. Ou se eu for gay? E se, e se... Chega disso. Não podemos viver as angústias de um futuro que não existe!
Ela finalmente sorriu, apesar de sua cara ainda estar enterrada no meu ombro. Era bom ver que ela não estava chorando mais.
— Mas é sério, S. — concluía aveludadamente  — Estamos juntos, e isso é o que importa. Os outros? Danem-se eles! Eu te amo, droga! E você também... Certo? — ela assentiu nervosamente — Então, vamos aproveitar o presente, tipo...
Parei de falar de proposito como sempre fazia. Ela finalmente retirou sua cara — agora bem mais avermelhada devido ao choro pretérito — do meu ombro molhado, para me fitar com aqueles olhos leitosos.
— Tipo o que? — ela me deu um pequeno beliscão quando viu que eu não iria continuar.
— Tipo isso, sua boba.
Minhas palavras saíram enquanto eu a pegava pela cintura, minha boca procurava por aquele beijo apaixonado que só ela tinha.

Não ligava para nada mais, pois as únicas coisas que importavam eram eu e ela, nós. E em meio disso, tudo virava resto.

- Somnium Quo Leo -

3 comentários:

Brunna Barbosa disse...

:O Agora é assim? vc descobre meus sonhos e escreve em seu blog? hahahah parece até que é coisa minha, foi intenso. LINDO!

Anônimo disse...

Tá, gosto tanto que fico sem palavras, assim a minha melodia fica um vácuo comparado a sua sinfonia!Lindoo...

samanta almeida - disse...

a coisa mais doce que já vi, mesmo sem ter vivido me parece tão real..