- Por que você está arrumando suas coisas? Você vai embora?
Sua voz preocupada me fez parar de arrumar a mala. Por um ínfimo segundo, eu quis lagar meus pertences, jogá-los no chão, e correr até seus braços... Mas antes que agisse assim tão transloucadamente, os motivos de estar fazendo isso vieram em minha mente, não que eu quisesse, mas eu precisava.
- Sim, eu vou embora, eu vou até o fim.
Ela parou me encarando, não parecia acreditar no que eu dizia, era isso, ou o desinteresse que esteve em seus olhos todos esses tempos, agora estava por todo o seu corpo.
- Ah é, e para onde você vai? Já falou com sua mãe sobre isso?
Eu assentia lentamente sem olhar para ela, colocando – agora sem nenhuma vontade – os restantes das minhas coisas dentro da mala.
- Na medida do possível – eu respondia com apatia – e ela me disse que eu poderia ir para Quixeramobim, eu faço um... – parei procurando a palavra certa – Ah sim! Um bruto sucesso por lá.
- Você não sabe nem como o maracatu começou!
-Mas vou até o fim.
Ela se calou outra vez.
- Você parece estar sofrendo, a culpa é minha?
- Não, a culpa é do chato do querubim... Sabe, eu sou assim, todo ruim.
Dessa vez o silêncio entre nós foi absoluto, sem olhares ou sorrisos, nenhum dos dois sequer deu adeus um ao outro, mas eu sabia que realmente tinha que fazer. Dei as coisas para o meu destino, sem me lembrar ou saber para onde ir.
Então comecei a andar pela minha estrada torta... Por que eu vou até o fim, e mesmo sem saber onde isso irá me levar, eu vou até o fim.
Nota: É incrivel como uma música, em apenas em um dia, possa me prender tanto, e me dar inspiração de escrever isso... Bom, o texto foi inspirado na música: Até o fim - Chico Buarque
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