― Você está fazendo da forma errada!
Ela sorriu mordendo os lábios com os olhos
semicerrados. A música no fundo era lenta e calma, bem daquele lugar que era
perfeito para quase tudo.
―Estamos no meio do vitrola! – disse-me ela
tentando manter um tom sério – não vou fazer o que você está me pedindo pra
fazer.
―Ah... E por que não? – minha voz era rouca
e aveludada, com meu queixo sobre a mesa, eu mantinha um olhar de cachorro
pidão.
―Porque estamos no café!
― Eu não me importo! Ah, vai, deixa de ser
medrosa, você não confia em mim?
Amanda se calou, colocando a mão na
boca olhando para o lado, mas quando viu minha cara, voltou abrir aquele lindo
sorriso de boca vermelha com rosto quase que inteiramente corado de vergonha.
― Eu não acredito... Ah tá, vai! Mas, só se você me disser o
que vai fazer.
―Feche seus olhos, e me dê sua mão.
Ela hesitou, ainda se questionando
sobre o que eu faria. Então, depois de alguns segundos e um longo suspiro,
Amanda me deu sua mão um tanto gélida.
― Não abra até que eu diga. – adverti.
Lentamente eu a pus bem em meu peito
para que ela sentisse meu coração descompassado, e o calor do meu corpo quando
estávamos juntos; desejava que ela pudesse sentir o tamanho da paixão que havia
em mim, apesar de saber que essa era o tipo da coisa que não dava para sentir
através das mãos, era onde olho fechado entrava, pois, quem sabe, sua alma
pudesse enxergar aonde os olhos não podem ir ― de qualquer forma, a paixão tem disso, e
não deixávamos de ser cegos, com olhos abertos ou não.
― Você está nervoso...
― Não, estou apaixonado.
Sorrindo e ainda de olhos fechados,
ela colocou sua mão em cima de seu coração também; Ah... Como eu desejava saber
o que se passava naquele coração tão distante, ansiava sentir como ela sentia
ao meu, porém, não imporia minha mão sobre ele, já que uma das graças de se
estar apaixonado, é deixar que o outro o guie a mão até seu coração, para que
ambos sentisse o mesmo ritmo – mesmo que descompassado e desafinado – como um
só. Uma única paixão.
Os segundos em silêncio demoraram mais
do que o relógio conseguiu marcar, e no final deles, ela abriu os olhos, fitando-me
com um olhar sereno e doce.
― Ele bate da mesma forma que o seu... Isso significa então
que... – Amanda parou, mordendo os lábios e corando ainda mais, por um segundo
seus olhos voltaram para todos no café, e então se aproximou de mim e sussurrou
baixinho ― Será que será,
que estou apaixonada também?
― Que tal essa ser mais uma descoberta partilhada nossa? – sugeri
ao sussurros.
Ela nada precisou dizer, e sem mais
vergonhas, ou olhares em volta, selou nosso acordo de desbravamento com um
beijo, em que eu roguei aos segundos mais uma vez para que se arrastassem ainda
mais do que antes, contudo, não esquecendo seu papel de voltar a andar, porque
assim eu poderia beijá-la pela eternidade efêmera, outras tantas vezes.
― E quando começamos? – Ela me perguntou entre beijos.
― Já começamos.

3 comentários:
meu amigo, quem é Amanda? no mei do vitrola?
sou eu, só pode, eu sabia, sempre soube.
vai, abra ai seu s2 pra mim.
"-Feche seus olhos, e me dê sua mão."
sou eu isso ai, eu sempre soube.
"sentisse meu coração descompassado"
eu conheço as batidas inconstantes dessa maquina. sou eu, sempre soube.
"olhar sereno e doce."
é. não sou eu, que pena.
" - Será que será, que estou apaixonada também?"
sou eu!!!sabiiia. só eu tenho essa incerteza sobre paixão. sou eu, sempre soube.
"descoberta "
essa plavra no dicionário: Brunna.
sou eu, sempre soube.
"desbravamento com um beijo"
affz... eu morta de doida pensando que era pra mim, e termina ssim....
fim de carreira
¬¬
Bom, saindo do péssimo personagem...
Eu não me contive.
Tá lindo isso. Embora eu ainda ache que não é você.
"Close your eyes
Give me your hand, darling
Do you feel my heart beating?
[...]"
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