- Que feio, um rapagão desse tamanho, fazendo birra feito uma criança!
Thiago se emburrou ainda mais interiormente, no entanto, sua cara permanecia tão impassível quanto a de uma comissário de bordo.
- Mas é meu não é? Por ventura é errado querer algo que é seu-você de volta? O governo vive fazendo isso com as poucas terras dos outros, e ninguém o chama de criançona.
- É diferente.
-Tem razão, eu não roubo nada.
- Isso.
E novamente Thiago voltou a se calar feito um túmulo sarcástico, os dedos parados – pois esses também poderiam falar ainda mais -, e os olhos longe, muito longe.
- Por que está me repreendendo? – perguntou ele em sua mesma fleuma.
- Porque sim! Você está agindo feito uma criança Thiago. Uma criança.
- E o que tem de errado nisso? Eu não acho que tenha alguma coisa errada nisso, pra falar a verdade, é até bom, vez ou outra, agir feito uma criança, fazer birras, colocar a língua para fora, e mostrar os dedos para os outros partirem, porque antes os dedos do que o coração.
- É... Olhando por esse lado.
- E olhe que eu nem estava olhando nada...
Silêncio.

Nenhum comentário:
Postar um comentário