Pensei em escrever uma carta, mas
ao por a pena e a tinta no papel avulso e morto, lembrei-me que não tenho para
quem mandar.
Família?
Apartei-me dela para gozar de uma vida efêmera – e completamente sem sentido,
para mim, devo prosseguir.
Meus
amigos? Ah sim, tenho muitos, embora, todos tenho tão próximo, e ao mesmo tempo
tão longe, que deles, de todos sabem minhas feições, embora desconheçam por
completo meus pensamentos. Não adianta perturbá-los com caraminholas tolas.
Amores?
Esses sim, estão pra lá de Pasárgada, tão longe que nem mesmo um reles auspício
de caminho, já não consigo vê-lo com essas minhas retinas tão fatigadas.
Foram-se todos. Mas o amor tem disso, esfregar-se em nós, e então, partir.
Dessa
forma, resta-me somente este papel avulso e morto, mas tão vivo quanto eu. Pois
nele, tem o contato da pena, as ideias de um poeta já não vivo, já quase morto.
Pensei
escrever uma carta. Agora desisti.
Desisti de tudo.
Então
ela vai para um lugar, o avulso.
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