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sábado, 18 de maio de 2013

Tão indefesa donzela


                Contava-se, nas florestas e em vários reinos, a lenda de uma linda e indefesa princesa, aprisionada em alguma torre gótica – pois elas sempre são as mais altas! – por uma terrível e malvada bruxa!
                Em todos os lugares, vários príncipes, heróis e muitos beberrões tomados por uma efêmera coragem, ficavam entusiasmados e brigavam entre si para saber quem salvaria a tão indefesa donzela.
Bom, metade do grupo desistiu quando soube da existência de um horripilante dragão. “Um amor não vale uma vida!” – era o que pensavam... Pobres rapazes.
                Um terço da outra metade ficou bebendo mesmo, outros tinham compromissos inadiáveis, e por ai foi o teste de seleção, até sobrar um bravio príncipe, alto, ombros largos, cabelo cor-de-ouro – um colírio Northam! – para salvar a tão indefesa donzela!
                E não muito distante, já poderia se ouvir os barulhos do cavalgar de um bravio salvador que se aproximava para resgatar aque
la tão indefesa donzela.
                Passou por grandes geadas, tempestades horríveis, lutou contra mais de quarenta ladrões, florestas de espinhos, mais tempestades – Ah... Como é péssimo viajar de cavalo no inverno – e todos obstáculos que os príncipes passam nesses contos de fadas  - favor conferir em bela adormecida e afins – até que enfim, o belo príncipe encantado vislumbrou com seus belos olhos azuis, a gótica torre gótica.
                Animado, abusou ainda mais do pobre cavalo e resolveu galopar quanto mais veloz, para que pudesse chegar rapidamente à entrada da torre, onde encontraria o furioso e horripilante dragão. Todavia, quando desceu do seu alazão, já com espadas e escudo mágicos em punho, percebera algo diferente no cenário fantástico: O dragão sumira!
                Bom, é bem verdade que havia esses mosquitos sanguessugas enormes, quase do tamanho do dragão, mas dragão, dragão mesmo, nem sinal do seu bafo de enxofre.
                Temeroso que houvesse acontecido alguma tragédia com a tão indefesa donzela, e que ela, por ser tão indefesa, não conseguira se defender, subiu os vários lances de escada, e adentrou pomposo, embora pronto para briga, nos aposentos da princesa, e aí, oh sim, o espanto!... Nem sinal da princesa. O quarto estava completamente vazio, exceto por um pequeno papel roxo deixado em cima da cama. O bilhetinho, escrito com uma caligrafia mimosa, dizia assim:
                “Caro príncipe encantado, cansei de espera-lo vir me resgatar, então, eu mesma tomei as providências. Sim, derrotei a bruxa malvada, domestiquei o dragão, e agora, estou usando-o para ir à praia das fadas, tomar um solzinho encantado com minha amiga: biquininho vermelho. Espero que não tenha se cansado muito, e claro, não tenha feito essa empreitada no inverno – Ah... como é péssimo viajar de cavalo no inverno!
                                      Beijinhos e com amor, de uma donzela, mas não tão indefesa.”


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