― Você é um gatinho medroso ― sussurrava Fernando em meus ouvidos ―
sabia disso?
A medida que seu hálito quente
roçava em meus pescoço, eriçando todos os pelos de minha nuca, mais meu coração
parecia solavancar intensamente - era uma sensação estranhamente gostosa.
― E-E o que você quer?
―
Eu? ― perguntou-me ele ainda em sussurros sem
parar de me fitar com aqueles olhos azuis a poucos centímetros dos meus ― Eu quero você, meu amigo... Mas principalmente, quero que
você se divirta...
―
Isso! ― Camila veio e se sentou do meu lado,
aproximou-se da minha orelha direita e a mordiscou levemente antes de entrar na
conversa arfando fraco ― Ou se diverte... ― mordiscado ― Ou nada
feito. É assim que o jogo funciona!
Assim como fora com Fernando há
pouco tempo, meu corpo simplesmente enlouqueceu logo que a boca de Camila se
aproximou da minha orelha... Ah, era meu ponto fraco, e os dois já pareciam
saber disto.
Dei um longo suspiro procurando
me acalmar, enquanto procurava em algum lugar das minhas memórias a explicação
para como havia entrado nessa.
Camila e Fernando eram
namorados, e meus amigos; não tão próximos, embora no fim, amigos. A verdade é
que eu sempre fora louco por Camila, então, era preciso somente uma brecha para
que eu me aproveitasse e aproximasse dela, sem me importar com Fernando.
Conversas por bate-papo, mensagens no celular, tudo para chegar mais perto
dela... Mas foi somente quando estávamos bebendo todos juntos na casa de
Fernando que tudo começou a acontecer.
Antes de me perder no delírio
dos fatos, permita-me explicar a razão de minha loucura por aquela mulher.
Camila era incrivelmente linda! Sua pele era de tom moreno, seus lábios finos
traçavam linhas bem desenhadas, que despertava o desejo eminente e
incontrolável de beijá-la... Os cabelos eram castanhos escuros que escorriam-se
pelo seus ombros e iam até os seus seios. Ah e que seios! Ela tinha um corpo
que fazia qualquer um acreditar no paraíso, ou então o inferno... Pois um corpo
daquele, meu caro, era tentação na certa!
No entanto, como dito, Camila
era de outro cara: Fernando. Sabe, ele não era tão mal assim... Ah, o que estou
dizendo? O cara era incrível também. Era alto ―
mais ou menos um metro e oitenta ― com ombros
largos e músculos bem definidos por todos os lugares, principalmente na
barriga. Tinha penetrantes olhos azuis, um queixo recoberto de barba
recém-feita com uma covinha na ponta, e para completar o pacote, também possuía
uma voz rouca e aveludada, do tipo o qual, até eu, que nunca havia prestado
atenção em... Bom, em homens, fazia-me ficar todo eriçado ― E dessa vez, não me refiro somente aos pelos do corpo.
E naquele momento, por mais
insano que parecesse, eu possuía os dois, bem ali, a poucos centímetros do meu
corpo ensandecido de tanta excitação. Contudo, eu ainda permanecia tão tenso e
estático que minhas mãos pareciam ter virado pedra, não ousando desbravar
nenhum centímetro dos corpos daqueles dois.
Felizmente, foi Camila quem
reverteu a situação.
―
Vem ― disse ela se pondo de pé e me puxando
pelo pulso ― Vamos dançar!
―
Não, eu...
Fui incapaz de terminar a
frase, pois Camila houvera me puxado com muita força para perto de si, dando-me
um beijo. E que beijo...
Suas mãos seguraram as minhas e
levemente foi guiando-as por seu corpo, passou por seus quadris e foi repousar um pouco mais a
baixo...
Seu corpo começou a se remexer
sensualmente no ritmo da música, seus
lábios também dançavam por minha pele beijando meu peito, pescoço e ouvido, de
uma forma quente e bem molhada. Vez ou outra, meus olhos vacilavam para
Fernando enquanto sua namorada fazia carinhos pelo meu corpo. Ele permanecia
sentado no sofá com seu copo de uísque, nos fitando com um sucinto prazer
naqueles olhos azuis, de certo, sua mente trabalha em desejos profanos, pois
sempre que nossos olhares se cruzavam, Fernando exibia um sorriso ainda mais
malicioso do que a forma que me encarava.
― Ele não vem? ―
perguntei entre um beijo e outro para Camila.
― Agora não ―
respondia-me ela, quase sem descolar os lábios dos meus ―
Parece que ela sente tesão em me ver com você...
― Tesão... Em mim?
Camila assentiu e continuamos a dançar. Não durou muito para que
Fernando terminasse o que restava de uísque em seu copo com um único gole, e
levantou-se, vindo em nossa direção com aquele mesmo sorriso cravado na boca.
― Ei, gatinho medroso, você poderia pegar
mais para nós? ― perguntou Fernando por cima dos
meus ombros.
Ele me entregou o copo e fui até o barzinho que ficava num canto
distante da sala, deixando-os mais reservados. Os dois começaram a dançar e
cochichar alguma coisa sem que eu pudesse ouvir.
Mesmo curioso, dei de ombros e aproveitei essa pausa para me acalmar um
pouco mais. Eu estava completamente excitado por causa da dança, e mesmo um
pouco longe, ainda sentia a sensação daquele corpo grudado ao meu, o toque dos
seus seios, a umidez de sua língua... Ah, sim,
minhas mãos tremiam com um misto de desejo e nervosismo, e por alguns
segundos, deixei que Eros me arrastasse daquela pequena festa da qual só fui
trazido de volta com o soar de uma voz galante:
― Ei, medroso, você está colocando gelo
demais. ― Fernando
estava colado bem atrás de mim. Eu tinha me distraído de tal maneira que só o
percebi quando seu corpo encaixou-se no meu.
― Se ficar muito aguado, o gosto fica sem
graça...
― Foi mal, cara, eu não sabia...
― Tudo bem, não precisa se desculpar ― Novamente sua boca pairava a milímetros de meu ouvido e todas
as palavras ditas não passaram de leves sussurros. Lentamente, seus dedos
quentes desceram por meu ombro até segurarem a mão que estava o copo ― Vem cá, deixa que eu te ensinar uma coisa.
Fernando virou meu corpo, sem retirar seus olhos dos meus, pegou o copo
da minha mão e o colocou sobre o balcão de madeira.
― Como vou colocar o gelo sem o copo? ― arfei com uma voz atrapalhada de nervosismo.
― Gelo? Nunca disse que era sobre o gelo.
Então aconteceu, em um segundo, a boca vermelha de Fernando veio de
encontro a minha num beijo. Inicialmente fiquei estático, sem saber o que
fazer, afinal, era a primeira vez que um homem grudava seu corpo no meu e me
beijava, e a sensação que meu corpo experimentou... Bom, as opções que me
restavam eram claras: eu poderia retribuir aquele beijo, ou negá-lo,
empurrando-o para longe... Meu caros amigos, o que é a vida se não um amontado
de experiências? Logo, optei pela melhor opção: a primeira.
Meus braços se fecharam laçando seu corpo e intensificando pressão
sobre o meu, pois se eu ia me amassar com um cara, iria degustar cada
centímetro que me fosse oferecido. Dessa forma, uma de minhas mãos logo
desceram até a sua bunda, enquanto a outra a outra ia até o seu cabelo,
entrelaçando meus dedos nos fios castanhos e desgrenhados.
Foi pego de surpresa quando descobri que o seu beijo me dava tanto
tesão quanto o de Camila. Não só o seu beijo, mas também seu corpo quente junto
ao meu, fazendo-me sentir cada músculos sobre minha pele. Nossas aventureiras mãos percorriam sem
censura ou receio algum, tocando-o em regiões que nunca achei que um dia
sentiria prazer em tocar. E para ser franco, Fernando era excitante pra
caralho! Eu curtia cada centímetro, cada beijo, cada afago... Até mesmo da sua
barba rala roçando em meu pescoço, e o volume dentro de sua calça me deixava
ainda mais excitado.
― Não vão me deixar sozinha aqui, hein! ― Camila se pôs lentamente entre nós dois, afastando-nos e obrigando-nos
a parar de beijar ― Eu também quero brincar!
Fernando sorriu embriagado de luxúria, e como estava de frente para
ela, a beijou dividindo suas mãos, uma segurava seu rosto firmemente, enquanto
a outra, puxava-me para perto do corpo daquela deusa.
Sim, mergulhei no jogo daqueles dois e
levei meus lábios à nuca de Camila, ora beijando-a e passando a língua,
ora mordendo-a e dando chupões de leve que eram recebidos por suaves gemidos.
Dançávamos os três em perfeita sincronia com o prazer. Não importava
mais naquela hora nossos sexos, e sim os beijos, e prazeres que desatavam em
nós um excitante comichão generalizado em todo o corpo – Claro que no meu e no
de Fernando, esses comichões fossem mais fortes em um lugar em particular.
Continuava nervoso, é claro. Meu coração ainda parecia um louco,
martelando freneticamente em meu peito, minha respiração estava pesada,
arfante; e embora em meus momentos de fetiches isso nunca tivesse passado por
minha cabeça, não podia deixar de negar que à cada segundo, o quanto eu
desejava que aquilo houvesse acontecido mais cedo... O quanto eu desejava
queimar no fogo de nossos prazeres.
Em algum momento, Camila puxou-me para frente, fazendo-me tomar sua
posição entre os dois. Eu e Fernando voltamos a nos beijar por alguns segundos
antes que ele me fizesse virar, fazendo-me dar as costas, ficando de frente
para sua namorada, a qual não tardou para grudar seus lábios nos meus.
― Olha só, o gatinho medroso... ― sussurrou ele, revezando as palavras entre um afago e outro
com a boca em meus pescoço ― Deixou o
medo de lado?
― Anham ―
respondi adorando a sensação que sua língua me trazia ao zanzar por meu pescoço
― Troquei o medo pela luxúria, meu caro...
Por quê? Ficou com medo de acabar de quatro?
― Medo?! Não, muito pelo contrário, fiquei
ainda mais excitado!
Sorri e Fernando pegou uma de minhas mãos, colocando-a em sua calça
somente para ratificar o que já houvera dito antes. Sim, estava tão excitado
que seu pau mais parecia uma pedra. Tudo isso acontecia sem que Camila parasse
de me beijar. É claro que os dois não pararam de trocar carícias, o que me
deixava com mais tesão era quando seus rostos se encontravam na exploração do
meu corpo. Não fiquei parado um único segundo sendo o recheio daquele
sanduíche, também apalpava cada parte que conseguia alcançar; minhas mãos
tocavam os fartos seios de Camila e desciam por sua barriga até aquele lugar em
particular, enquanto a outra fazia movimentos para cima e para baixo,
masturbando Fernando por cima da calça.
― Por que nunca fizemos isso antes?! ― perguntei quando demos uma pequena trégua para que Fernando
pudesse pegar mais uísque no barzinho.
― Porque não sabíamos como você iria
reagir - disse Camila, colando seu corpo no meu, fazendo-me sentir seus
deliciosos seios em meu tórax.
― Ah... Mas... Bom, realmente, acho que se
vocês houvessem chegado para mim e fizessem essa proposta, eu teria negado ― enquanto falava, lentamente retirava sua camiseta, deixando-a
somente de sutiã.
― Você não está gostando? ― Perguntou F, do outro lado da sala.
― Estou adorando, por quê?
―Porque é difícil deixarmos o moralismo de
lado, e isso acaba atrapalhando nossas experiências ―
respondeu-me ele, caminhando em minha direção ― Ou
seja, o moralismo é a pior de todas as censuras.
― E chega de censuras, certo? ― completou Camila.
― Certo!
― Então deixa comigo! ― disse Fernando com aquele sorriso malicioso.
Ele parou bem perto de mim, colocou as mãos quentes em minha nuca e foi
descendo seu corpo lentamente. Seus lábios beijavam tudo o que encontrava...
Meus peitos, minha barriga... Só parou quando chegou em meu sinto, o qual na
mesma hora começou a desafivela-lo.
― Vem –
sussurrou novamente ― vamos começar com essa festa
logo de uma vez.

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