Rotina x Destino
Minha vida andava muito monótona ultimamente. Minha rotina eu conseguia fazer até dormindo.
Entretanto, algo estava prestes a mudar, e não fazia a menor idéia de como.
Como todos os dias, minha mãe me acordava dez horas da manhã, eu ficava um pouco no computador e depois tomava banho, almoçava e ia para a escola.
Você já percebeu que sempre tem aqueles alunos chatos, que só vão pra aula pra bagunçar?! Bom, eu tenho um amigo que nem pro colégio vai.
“Cadê o Lucas?” Sempre perguntava isso quando chegava à sala de aula e, como sempre, a resposta era a mesma: ”Faltou!”. Sinceramente, eu nem sei mais porque que eu ainda perguntava.
Os preparativos para a maratona de história começaram, e eu tinha a difícil tarefa de encaixar o Lucas na equipe dos “CDF’s”, - assim que ele nos referia- e agora, conseqüentemente, ele seria um de “nós”.
Eu mexi uns pauzinhos ali e outros aqui, falei com um e com outro, até que finalmente eu consegui. A única coisa que havia de fazer era entregar suas falas, rezar para que decorasse a tempo, e avisar das reuniões do grupo, mas como faria isso? Ele nunca ia para a aula, entregar-lhe seria a tarefa mais difícil, até mais que o seminário!
Foi aí –entre minhas preocupações - que a idéia brotou na minha cabeça: ia em sua casa mais tarde, assim que a aula acabasse, arrumaria meus livros, e iria até ele.
Sempre saio do colégio cinco e quarenta e costumo chegar em casa umas cinco e cinquenta, mas não naquele dia. Chegaria mais tarde, nada de rotineiro.
Eu saí em direção à casa do Lucas, excitado em quebrar minha rotina, não conseguia pensar em nada, só que, de repente, pensei em uma coisa: “Onde é a casa do Lucas?!”
Fiquei apavorado quando lembrei que não sabia onde ele morava. Eu só fui lá uma vez e sou muito ruim de memória, por isso não poderia lembrar o caminho para a casa dele. A idéia de voltar relampejou em minha mente, porém estava muito longe para simplesmente voltar, e para completar o ato, o céu já estava escurecendo, uma nuvem de chuva começava a se formar. Nisso, só consegui pensar em uma coisa.
- Pronto, agora ferrou!
Corri o máximo que pude, quase fui atropelado, mas tudo isso foi em vão. Logo começou a chover e me abriguei embaixo de uma árvore.
Chovia muito forte, eu estava embaixo de uma árvore e em frente a uma casa que nem sabia de quem era. Mas graças aos céus não demorou muito até que escutei um rangido estridente de portão abrindo. Só poderia ter escutado errado, pois quem saiu parecia mais um anjo.
- Oi Gustavo!
Era a Isabella, que estudava na minha sala, eu tinha um “rolo” com ela, mas depois tudo acabou, e não demorou muito ela começou um namoro com um Zé doidinho que morava em sua rua.
“Não quer entrar?” ela perguntou. É lógico que eu queria entrar, mas tinha um pouco de orgulho. Houve um silêncio, até que ela fez outra pergunta.
- Então estar aqui fora é melhor do que entrar?
A chuva forte não era o único motivo que me fazia querer entrar, então eu finalmente cedi.
Entrei e, chegando lá dentro, me sentei no sofá. Ela perguntou se eu estava com fome. Balancei a cabeça negativamente e Isabella sentou ao meu lado. Começamos a conversar coisas de sempre - Como é que você está?- Essas coisas. A chuva lá fora ainda não tinha parado, nós estávamos a sós, não tinha como não tocar no assunto.
-Porque você terminou comigo? - Perguntei meio que fazendo uma cara de cachorro quando quebra prato, mas meu tom de voz era irritado, percebia que franzia os lábios contra os dentes.
Ela ficou em silêncio e eu levantei com raiva, mas ela me pegou pelo braço. Olhei em seus olhos, estavam úmidos. Não acreditava que fosse falsa, então sentei ao lado dela e voltamos a conversar mais uma vez.
Ela começou a falar que não queria ter feito isso, que estava arrependida. Não tinha como aguentar, então a beijei. Peguei-a meio que de surpresa, mas ela não me mandou parar, então continuei a beijá-la.
A chuva parou, entretanto não queria voltar para casa, fiquei ainda um pouco onde estava.
Olhei para o relógio e vi que já eram sete e meia. O tempo passara bem rápido, sem que nós sequer percebêssemos. Tinha que ir.
Despedimos-nos e saí para a rua. Foi fácil encontrar o caminho de volta. Bem mais fácil que enfrentar minha mãe depois.
Quando cheguei, ela já estava me esperando no portão, furiosa. Chamou minha atenção, mas estava tudo bem! Eu tinha quebrado minha rotina e estava feliz com isso. E quer saber, estava pensando em colocar mais pessoas na minha equipe amanhã.
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