Num rotineiro dia de semana, no consultório de psicologia, o doutor Carlos consultava um paciente com um caso curioso.
- Então Pedro, o que o trás aqui?
Passando a mão no abdômen o paciente respondeu:
- Meu apêndice está doendo.
-Como é que é? – perguntou o doutor um tanto confuso.
-Meu apêndice, não para de doer.
-Desculpa, mas o senhor não está no lugar errado? Eu sou um psicólogo.
-Eu sei doutor, mas foi ao senhor que meu antigo médico me aconselhou a vir.
Carlos parou ainda olhando confuso para o paciente, com uma prancheta inteira para preencher e nada o que escrever. Revisou seu histórico médico, que dizia que o apêndice estava em ótimas condições, mesmo o paciente continuando a reclamar de dores.
- Está tudo bem, então me diga, o que o senhor sente e como?
O paciente respirou fundo antes de começar a responder as suas perguntas.
- Bom, eu comecei a sentir meu apêndice latejar há alguns meses. A dor vem do nada sabe? Se vejo alguma coisa ela dói, se escuto uma música ou outra ela dói, se vou a algum lugar depois disso, ela continua doendo, e se esbarro... Aí! – o paciente parou replicando uma careta – demora horas para fazê-lo parar de doer.
- Mas Pedro, seu apêndice está ótimo! Não está inflamado, caso contrario você já estaria morto. Creio que deve ser outra coisa.
O paciente nervoso bateu em sua testa, respirando profundamente mais uma vez para se acalmar.
- Doutor, olha, o senhor não acha que os outros não tem consciência da apêndice que tem?
-Bom – pigarreou – Meu apêndice está ótimo.
-Pois bem, o meu não.
O astuto psicólogo pensou numa forma de enganar seu paciente, até que então resolveu entrar no jogo.
- Tudo bem então Pedro, bom acho que meu apêndice dói algumas vezes também, mas sempre há um motivo. Explique-me, o que faz seu apêndice doer?
Pedro então começou a tudo que fazia seu apêndice doer. Carlos fazia o maior esforço para entender o que seu paciente dizia, e quando terminou, ele pediu para repetir mais uma vez para que pudesse entender completamente.
Quando entendeu, o medicou começou a recomendar o que seu paciente teria que fazer para seu apêndice parar de doer.
- E volte aqui caso não melhore! –completou.
Então um dia se passou, e o paciente não voltou ao consultório. No segundo dia o doutor já se auto-parabenizava pelo exímio trabalho que havia feito. Depois de um tempo, até esquecera-se de Pedro, e foi então que chegando atrasado ao seu consultório no fim de semana, assustou-se.
-Pedro?! O que faz aqui? Qual o problema?
Pedro pigarreou envergonhado.
- Minha apêndice não dói mais.
- Ora! Que maravilha! E isto é bom, não é?
Silêncio.
Um comentário:
Eu passei para alimentar seus peixes e me deparei com isso. Mas lembra que você apontou o peito quando falou do seu "apêndice". Dói nada.
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