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domingo, 6 de novembro de 2011

Uma mensagem ao vento para ser entregue.

A embarcação finalmente se estabilizou e o capitão pode enfim sair de sua cabine, onde há muito que se refugiara, impedindo que qualquer coisa que não fosse o planos de suas rotas chegassem até ele.
                O capitão andou lentamente até onde podia ir perto da polpa, enquanto dava seus pequenos passos, pensava no que dizer e no que de fato estava prestes a fazer.
                Então sentou-se em um barril qualquer e se calou por alguns segundos, fitando o horizonte antes de começar o que viera ali fazer, o qual já deveria ter feito há tanto tempo.
                - Minha cara amiga – disse ele , como se houvesse uma outra pessoa em seu lado – Perdoe-me pela demora em lhe mandar notícias, apesar da tardança que suas palavras chegaste a mim, conheceste bem o meu problema de falta de fala as coisas que você me manda. Também sei que já é deveras tarde, contudo, não o suficiente, pois sei que me escutará, sempre, assim como, não existe hora – creio eu – de se dizer que sinto sua falta...
                Um relés marujo de repente se deu conta de que seu capitão fazia, e o julgando feito um desvairado – pois é essa a classificação mais fácil de se por, naqueles que não se entendem – o observou tendo aquela conversa.
                - Novamente, eu compreendo, de uma certa forma, como ficaste a minha ausência. Disseste também que isto fora no fim, algo que lhe proveu um bom fruto, contudo, tal coisa teria brotado de um sentimento de aflição, e é por ele que outra vez, peço mil perdões. Sim, como aquele nosso compositor favorito... Ah, temo que minha viagem dure mais do que as outras, pois esta é bem distinta, então, infelizmente tenho que lhe dar este aviso...
                Desconfiado e temeroso que algum dos outros homens visse seu capitão em tamanha loucura, correu para ir ter com ele.
                - Meu caro capitão! – disse ao se aproximar – Estás louco?
                O Capitão parou, sem entender o que seu marujo falava, e compreendendo o seu desentendimento, o marujo foi explicar o motivo de sua intervenção.
                - Estás falando sozinho capitão, será que ficaste louco com todas as tribulações dessa jornada perdida?
                - Quem disse que estou falando sozinho marujo?
                - Mas o senhor...
                - Não estava não – o capitão o interrompeu – As palavras são algo interessante não acha? Elas ficam ali, rodando, viajando, tocando corações distantes de corpos também distantes. Vai sozinha semear um sentimento, ao mesmo tempo que com a mesma solidão, pode acabar por em esfacela-los. Então,novamente o digo, não estou falando sozinho.
                - Mas não havia ninguém aqui!
                - Não ouviste o que acabei de dizer? É desnecessário que a quem você direciona as palavras, como eu estava fazendo, esteja do seu lado, principalmente se tratando dela. Nosso canal favorito sempre foi esse, as palavras ao léu, as quais sempre chegam até nós, trazidas pelo vento ou algo bem semelhante.
                O marujo então se calou, parecendo compreender, mas somente parecendo, pois não existia alguém que pudesse compreender de verdade o que o capitão acabara de dizer, se não o mesmo e a quem estava sendo direcionada a mensagem. Levantou-se e  deixou novamente o rapaz a falar para o vento.
                E assim a mensagem, tão singela, mas tão importante era entregue, para aqueles que sabiam de fato o quanto era preciso sempre navegar.


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