Eu nunca tive muito contato com a felicidade, pelo menos,
não aquela quem vem pelos viés do amor. Assim, como meu ancestral grego, o
Jacinto de Apolo, toda as minhas histórias de amor - que dariam grandes
epopeais - nunca acabavam bem. Só os deuses sabem em quantas histórias furadas
me meti... Mas, agora, Eros pareceu fazer as pazes comigo, e sabe o que ele me
trouxe? Eros me trouxe a felicidade... Trouxe você.
Talvez, alguém vá se questionar - se estiver disposto a
dedicar pouco de seu efêmero tempo a um jovem apaixonado - , ao ler essas
declarações tão ridículas - tal qual toda e qualquer carta de amor -, como eu
sei que realmente estou feliz, uma vez que nunca fui feliz antes?
Ora, é fácil!
Eu sei, porque sempre que te olho, me dando um sorriso tão
caloroso e meio abobalhado, uma certeza íntima e inefável, apodera o meu
espírito: Eu sou o cara mais sortudo e feliz do mundo!
Eu enlouqueço! Meu coração tem vontade de explodir, embora
assim não o faça, para ficar mais tempo contigo.
Eu sei, porque tenho a consciência da minha juventude, e,
exatamente por isso, eu poderia ainda viver muitos anos navegando pelas águas
de Tortuga, caminhando por cada ruela doce e deslumbrante da luxúria,
desfrutando cada rosa e cravo que encontrasse pelos jardins, antes de
aquietar-me de vez - como você fez. Mas sabe de uma coisa? Eu não quero. Chega
de cravos, chega de rosas! Pois é com você, amor meu, que quero gozar cada dia da
minha juventude - cada dia de minha vida!E não estou brincando quando digo que
desejo ficar bem velhinho ao seu lado.
Eu sei, pois, mesmo agora, estando com os olhos
completamente pesados, e quase não conseguindo construir uma texto decente, nem
se quer consigo dormir sozinho, porque meu peito sente falta do seu abraço
antes de dormir.
O que é capaz, se não o amor, de quebrar a maldição de uma
soturna Fera, já desacreditada de redenção?
Então, eu sei, e para mim, isso já basta para que eu seja
incomensuravelmente feliz.
Amorosamente, de uma ex-fera que acabou se transformando no
seu eterno Plinspi.
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