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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Vaidade

                          Vaidade: Um desejo exacerbado de manter as aparências... 
           Já reparou que você usa maquiagem, mesmo prejudicando a face? Usa roupas caras - que algumas vezes, nem é a sua cara -, sapatos apertados, mas tudo bem, não é? Está te deixando por cima. Está mostrando a todos que você está bem - pelo menos, é o que todos olham, pois aqueles que buscam penetrar em nossas máscaras vaidosas, somente para nos conhecer, são poucos...
Costumamos sacrificar tantas coisas somente para manter as aparência... Sabe aquele momento que deixastes de viver por medo do que vão pensar? Pura vaidade... Aquele sentimento preso dentro do peito que não pode sair? É aí que vem a pior coisa: o silêncio.
           Sim, meu amigo, o silêncio.
           Aquela palavra não dita que te sufoca a garganta e os pensamentos... O controlado pranto que busca afogar seus olhos para levar de si aquele sentimento doloroso... São os tantos estigmas que carregamos em nossas almas num silêncio imaculado, afinal, você não é fraco! Ou mais do que isso, todo o esforço é feito a mando da vaidade, para que os outros não te achem assim, um fraco.
           “Seja um colosso, aguente, boceje e diga que seus olhos vermelhos não passam de sono. Finja, dissimule... Você não é fraco.
           Assim, você aprisiona todos seus pensamentos, suas raivas, aquele desejo eminente de vociferar ao Zéfiro, o motivo de tanta aflição, sempre sorrindo, esperando que ninguém saiba o que está acontecendo entre você e os seus botões. 
Sim, guardamos tudo dentro do seu coração... Há um Pássaro Azul... Você caminha, melancólico e vertical - Oh, não se mate!
 É aí, caro leitor, que começa uma batalha inefável dentro de si. O desejo de gritar, a vaidade à te calar! A maquiagem lhe cobrindo as faces, as furtivas lágrimas borrando-lhe tudo! O coração martelando feito um desvairado querendo se libertar inutilmente, e todas aquelas roupas apertadíssimas para delinear os músculos... O sapato apertando-lhe os indefesos dedos dos pé impossibilitando de seguir muito longe ( Fica descalço! Ah, não, não posso nunca ficar descalço. Você vai ter que aguentar). Volta a vontade de urrar - não, ela nunca sumiu -, e toda essa confusão te deixa feito um naufrago, sem saber onde ir, onde descansar.
           Mas então, você passa um batom vermelho - Sim, um belíssimo batom vermelho, vai ficar perfeito nessa sua face forjada -, sorri e, está tudo bem?

           -Sim, está tudo bem. 

           Porque no final das contas, você sabe, o show tem que continuar.


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