Mas foi somente quando o caixão começou a se fechar sobre ele, que percebeu: ela também o havia levado.
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terça-feira, 12 de maio de 2020
Quando ela os levou,
Quando ela os levou, foram os primeiros números que começaram a tomar nomes. Antes, um container de corpos nas ruas, doía, é claro, mas nenhum deles ainda havia ganhado um rosto conhecido. Encontrando-os rapidamente, sem importar quem a temesse ou não, ela os levava, tomando-os pelas mãos, espalhando-se pelo ar. Impotente, deitado para dormir, ele repassava todos os seus avisos, maldizendo-se por não conseguir ser ouvido, irritando-se por ser taxado de histérico demais. Mesmo quando o primeiro se fora, eles seguiram feito asnos, um atrás do outro, trazendo-a para os lares de quem ficava. Ela levara seu primo, que dividira o video-game; a mãe que o cuidara; o marido que há pouco casara…
Mas foi somente quando o caixão começou a se fechar sobre ele, que percebeu: ela também o havia levado.
Mas foi somente quando o caixão começou a se fechar sobre ele, que percebeu: ela também o havia levado.
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