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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Esquerda, direita.

                - Ei, aí é a esquerda.
                César parou, olhou para mim e abriu um sorriso de quem se diz “Ah é, essa é a esquerda.”, e continuou a andar.
                Claro que eu – de uma certa forma – poderia dar as costas e seguir o meu caminho, mas resolvi por segui-lo.
                Caminhamos assim ainda algum tempo antes que eu explodisse.
                - Aí é a esquerda! Esquerda é diferente da direita!
                - Eu sei – disse ele aveludadamente – Eu sei que aqui é a esquerda.
                - Se sabe que aí é a esquerda, por que me disse então que adora ir pela direita?
                - Ah é, eu adoro ir pela direita.
                Calou-se e continuou a andar.
                Como sempre fazia, fiz um gesto de segurar uma arma na mão e lhe dar um tiro, desejando que houvesse uma bala verdadeira.
                - Ei, ei já chega! Já chega! Isso é esquerda, e você disse que o caminho era pela direita...
                - E eu adoro a direita. – Completou.
                - Mas então, me diz de uma vez por todas, por que ainda fica indo pela esquerda? Agindo como se o caminho realmente fosse esse?
                César se calou retorceu a boca com um ar pensativo.
                - É, o caminho é pela direita... E eu adoro a direita, já te disse? Já né?
                - Já... Disse.
                - É, adoro a direita.
                Falou com um largo sorriso no rosto,  virou-se e continuou a andar pela esquerda.


Um comentário:

Brunna Barbosa disse...

é,difícil mesmo é saber o que se quer, mas saber do que se gosta já é meio caminho andado.