(Em um lugar secreto).
- Por que você está tampando os olhos? Olha para mim.
-Não.
- E por que não?
- Porque não consigo mais te ver, assim perto, assim longe.
- Mas nós dois sabemos que você me via antes... De onde inventou isso agora?
- Do desespero, do presente, do que me resta da vida.
( Pausa )
- Olha, hoje é um dia frio e triste, e já como se não bastasse, teus sinais, me confundem da cabeças aos pés...
- E o que isso tem?
- Não posso mais me dar o luxo da confusão, por isso tento apagar a sua imagem da cabeça sabe? Mas é difícil.
- Por que?
- Porque mesmo de olhos fechados, sua face me aparece, seu sorriso ainda me deixa quente... Minha vida se aconchega na sua.
- Então abra os olhos e me olhe, larga de covardia.
(Abrem-se os olhos)
- Você está aí?

Um comentário:
A verdade é que provavelmente nós não estejamos nem no cinema, nem no teatro e nem na música, mas exclusivamente na literatura. Essa é a melhor parte de todas, porque o Drummond não escreveu pra gente, mas é como se fosse.
Ah. e essa fase de mar revolto logo passa, rapidinho voltaremos a navegar na calmaria do mar das nossas palavras, como sempre navegamos " assim perto, assim longe".
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