- Para onde vamos? – ela perguntou.
Ele lhe abriu um sorriso sem nada dizer, segurava-a pela mão para que juntos fossem dali.
Os dois estavam ofegantes, o coração da garota estava mais pesado do que nunca, seus batimentos tão fortes que passou por sua cabeça, que se se descontrolassem um pouco mais, voaria de seu peito. Contudo, tudo ali era bom, e ela não tinha vontade – mesmo que antes nunca houvesse dado liberdade de pensar tal coisa – pará-lo.
Vez ou outra se olhavam desconfiados, e os sorrisos reapareciam. Eram fugitivos, não só dos outros, mas também deles mesmos, e traziam consigo somente os beijos e outros inteiros afagos – agora de namorados.
Até que pararam no único canto que os importavam, um ao outro.
- Tem certeza que ficaremos seguro aqui? – perguntou ela tensa – Longe de tudo?
- Claro que sim, se ficaste comigo, o único perigo que encontrará será eu mesmo. O que já é muito.
- É um perigo que estou disposta a correr - disse ela com um sorriso de boca vermelha nos lábios - Mas porque não me disseste nada este tempo todo?
- Eu lhe disse, disse-lhe tudo, em cada olhar, em cada sorriso, em cada afago, em cada trova... Só você que não entendeu o que estava escrito.
Ela gargalhou maravilhosamente, com uma voz tão doce e bela, que mais parecia um couro de rouxinóis contentes e livres.
- E por que não viestes à mim antes?
-Porque estávamos ocupados... – disse ele aveludadamente, entre um beijo e outro – Mas não importa o que aconteceu, ou o que deixou de acontecer. O importante é quem somos agora.
- E o que somos agora?
- Um do outro.
- Um do outro.
Então escondidos, finalmente entregaram-se novamente aos beijos, à algo que já havia sido premeditado por todas as estrelas, esbarrões e encontros, só não por eles.

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